Reflexão sobre a Electronic Arts e seu público-alvo
Hoje, vou trazer uma reflexão sobre a Electronic Arts e suas práticas, vistas por muitos como abusivas e mercenárias. Mas talvez esses muitos que falam isso não sejam nada além de uma minoria barulhenta para a EA.
Quando falamos de Electronic Arts, logo pensamos em franquias grandes e famosas, que caíram no gosto popular, como Need for Speed, Battlefield, The Sims e o mais amado e comprado FIFA (que hoje se chama EA Sports FC).
Todos estes são alvos de críticas por conterem sistemas abusivos de venda de conteúdo dentro do jogo, com microtransações, DLCs extremamente caras, reaproveitamento de conteúdo de outras DLCs e lançamentos em períodos extremamente curtos. É impossível adquirir a infinidade de conteúdos disponibilizados em microtransações sem ser uma pessoa muito bem-sucedida financeiramente ou, então, um jovem bem de vida sustentado pelos pais (vulgo herdeiro).
O verdadeiro público-alvo da EA
E aqui chegamos ao ponto da reflexão: talvez você, que está lendo isso agora, não seja o público-alvo da EA. Depois de todos esses anos, com tanta insatisfação por parte do público, a EA se pronuncia com os mesmos argumentos de que "visa o bem-estar da comunidade", mas não move um dedo para tornar seus conteúdos melhores ou menos abusivos.
Vou usar como exemplo uma comunidade da EA na qual estou bem inserido: The Sims. Eu adoro The Sims, jogo desde The Sims 2 no PlayStation 2 e venho jogando desde então, até mesmo sua versão atual, The Sims 4. Nesse ecossistema da EA, eles vendem não só expansões, que saem em períodos de seis meses, como também pacotes de objetos, pacotes de jogo e kits.
- Expansões: R$ 179
- Pacotes de jogo: R$ 69 (preço de uma expansão antes do reajuste bizarro)
- Pacotes de objetos: R$ 39
- Kits: R$ 24
Ao todo, já são mais de 90 DLCs. Para ter The Sims 4 completo, é necessário gastar, no mínimo, R$ 5.000.
As críticas realmente fazem diferença?
Ao entrar em vídeos e conteúdos sobre The Sims, você verá muitos comentários negativos, muita gente insatisfeita reclamando, muitas pessoas extremamente revoltadas – até mesmo influenciadores e streamers que utilizam isso como ferramenta para gerar conteúdo. Mas, no fim do dia, a série The Sims ainda é uma das mais lucrativas para a EA e, independentemente da insatisfação pública, a realidade no bolso da empresa é que existem consumidores fiéis, que sempre estão lá apoiando e comprando seus conteúdos assim que lançam. Ou então, se não forem o suficiente, muitas das pessoas que reclamam hoje apenas esperam alguns meses e pegam o conteúdo em promoção.
Conclusão
A Electronic Arts não está se preocupando com quem reclama, pois a pessoa que está reclamando não representa uma fatia considerável de seu público final.
- Você não é a pessoa que compra FIFA todo ano e gasta R$ 3.000 em cartinhas de jogadores.
- Você não é o fã de The Sims animado e empolgado que faz a pré-venda de uma expansão.
Logo, você não é o público-alvo da Electronic Arts.